Zoneamento Ecológico

 

 

VIABILIDADE DE LAVOURAS IRRIGADAS

 

1. INTRODUÇÃO
O vertiginoso aumento demográfico experimentado pelo estado de Roraima ao longo
das últimas décadas trouxe, como uma de suas conseqüências mais imediatas, a imperiosa
necessidade de se expandir a produção de alimentos para atender a sua população.
Afortunadamente, Roraima encerra as condições necessárias para o desenvolvimento
de sua agricultura, quais sejam: a ocorrência, em larga escala, de solos férteis, física e
quimicamente propícios, em condições de relevo normalmente favoráveis à sua mecanização,
sob condição de sazonalidade climática bem definida e, sobretudo, distribuídos em uma
região     com potencial hídrico              muito favorável.          Consideradas      essas    demandas     e
potencialidades, o presente estudo aborda considerações sobre a implementação de sistemas
de manejos com práticas de irrigação como forma imediata para a solução do atual déficit de
alimentos de Roraima.
O uso racional das práticas de irrigação nas lavouras demanda estudos que considerem
os aspectos sociais, econômicos, técnicos e ecológicos da região. Quanto aos aspectos
ecológicos, tanto a mitigação quanto a valoração dos impactos ambientais não são benéficas
ao desenvolvimento sustentado da irrigação. Devem ser considerados, a quantificação precisa
da magnitude dos impactos ambientais, ocasionados pela irrigação. Tal procedimento
possibilitará um bom desenvolvimento das lavouras irrigadas, evitando, assim, um
crescimento baseado exclusivamente em benefícios financeiros, sem considerar os problemas
relacionados ao meio ambiente.
Na avaliação das conseqüências dos impactos negativos sobre as reservas hídricas
deve-se enfatizar os problemas correlatos de erosão dos solos, assoreamento dos corpos de
água e falta de controle no uso de fertilizantes, corretivos e biocidas. A situação agrava-se
pela insuficiente proteção das fontes e dos mananciais, que muitas vezes inviabiliza o
aproveitamento dessa água para outros usos, ou onera seu custo devido à necessidade de
tratamento que, em última instância, será tributado à comunidade.
A agricultura irrigada é a atividade humana que demanda maior quantidade total de
água. Em termos mundiais, estima-se que esse uso responda por cerca de 80% das derivações
de água; no Brasil, esse valor supera os 60% (FGV, 1998). A irrigação é exigente em termos
de qualidade da água e, nos casos de grandes projetos, implica obras de regularização de
vazões, ou seja, barragens, que interferem no regime fluvial dos cursos d’água e sobre o meio
ambiente.
Especificamente quanto ao uso agrícola da água, os métodos de irrigação podem ser
aprimorados e, com o manejo adequado, a poluição decorrente do carreamento de sedimentos,
defensivos agrícolas e fertilizantes, hoje focos significativos de degradação dos recursos
hídricos, será minimizada.
Assim sendo, procurou-se, neste estudo de viabilidade, enfatizar os atores
condicionantes  que agirão sobre esta atividade, e que foram priorizados, como:
Disponibilidade de água, vetores de perda de água do solo, demanda de água para irrigação,
áreas com irrigação existentes, dados de produtividade das lavouras com irrigação, estimativa
da necessidade de custeio agrícola, e aspectos técnicos e econômicos dos métodos de
irrigação.

2. DISPONIBILIDADE DE ÁGUA
2.1. Água Pluvial
Considerando-se a disponibilidade de água de origem pluvial para o uso com lavouras
em região de savanas, com base nos dados referentes à estação Boa Vista, mais significativos
para os domínios de savanas úmidas, observa-se que:
-     Os meses de maiores precipitações concentram-se entre maio a agosto, com piques
máximos de 356 mm no mês de junho, e totais anuais de 1.687 mm;
-     Os maiores excedentes estão entre junho a agosto, sendo os maiores défices nos
meses de dezembro a março;
-     A maior velocidade do vento concentra-se entre os meses de dezembro a março;
-     As maiores horas de insolação estão entre outubro a janeiro.
A partir dessas informações, pode-se verificar que os maiores défices coincidem com
o período de maiores velocidades do vento. Tendo em vista que na unidade fitoecológica de
savana é grande o percentual espacial de terras com horizontes superficiais arenosos (menos
que 15% de argila), ou textura média baixa (entre 15 e 20 % de argila), fatores esses que
contribuem para a falta de suprimento de água armazenada necessária para ao bom
desenvolvimento da maioria das culturas, conclui-se que para instalação de lavouras
tecnificadas a nível empresarial ou em projetos para comunidades organizadas de produtores
rurais, é necessário dispor também de água de origem fluvial e/ou subterrânea.
Os dados referentes ao Balanço Hídrico das estações Boa Vista (Tab 1),  Campo
Experimental Água Boa (Tab. 2), Campo Experimental Serra da Prata (Tab. 3) e Campo
Experimental Confiança (Tab. 4) são ilustrados a seguir.

 

 

 

 

 

 

 

 

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